Tecnologia pode revelar falhas ocultas em carros
Leitura eletrônica permite comparar quilometragem registrada em diferentes módulos, identificar códigos de falha e avaliar até a saúde da bateria de veículos eletrificados.
Comprar um carro usado pode envolver riscos que não aparecem em uma vistoria visual ou mesmo no painel. Com os automóveis cada vez mais conectados, ferramentas de inspeção eletrônica já conseguem identificar códigos de falha, inconsistências na quilometragem, alterações em módulos e até avaliar a condição da bateria de veículos híbridos e elétricos.
O assunto foi discutido no Comprecar Podcast com Leif Erik, vice-presidente executivo do Instituto de Tecnologia Veicular e Mobilidade da TÜV NORD, e Fábio Ferreira, Diretor da TÜV NORD Mobilidade na América do Sul. A companhia atua há mais de 150 anos em testes, inspeção e certificação e está presente no Brasil há mais de três décadas. Texto colado
Nos carros atuais, a quilometragem não fica registrada somente no painel. Diferentes unidades eletrônicas de controle, as chamadas ECUs, também podem armazenar essas informações. A tecnologia apresentada pela TÜV NORD compara os registros encontrados nos módulos com o valor exibido no painel, criando mais uma ferramenta para identificar possíveis adulterações antes da compra.
“Hoje, a quantidade de lugares onde a quilometragem é gravada é muito maior”, explicou Fábio Ferreira. Segundo ele, o sistema consegue buscar os registros existentes nas ECUs e confrontá-los com a quilometragem apresentada ao motorista.
Falhas que o motorista não consegue enxergar
A leitura também pode localizar códigos de falha que ainda não resultaram no acendimento de uma luz no painel. Esses registros podem ajudar a antecipar problemas e indicar quando é necessário procurar uma oficina ou concessionária.
Para Ferreira, o objetivo não é apenas entregar uma série de códigos técnicos ao motorista, mas transformar os dados em informações que auxiliem na decisão.
“O nosso trabalho é ter uma solução que consiga dar informações para a tomada de decisão”, afirmou. A ferramenta classifica a criticidade das falhas e pode indicar se o problema exige atenção imediata ou se pode ser tratado em uma próxima revisão.
No Brasil, quatro das principais funções apresentadas são a verificação de chassi, quilometragem, códigos de falha e estado de saúde da bateria.
Elétricos exigem um novo tipo de avaliação
Nos veículos eletrificados, a inspeção pode avaliar o chamado State of Health (SoH), indicador relacionado à capacidade atual da bateria, além de procurar anormalidades em suas células.
Leif Erik destacou que, com a evolução dos veículos, a análise técnica também precisa acompanhar componentes que vão muito além da mecânica tradicional.
“É importante que o novo proprietário conheça o estado de saúde da bateria e também seu estado de segurança”, explicou o executivo durante a entrevista. A avaliação pode identificar, por exemplo, células danificadas ou que apresentem comportamento anormal durante o carregamento. Texto colado
A discussão ganha importância em um mercado no qual carros passam a receber atualizações de software e concentram cada vez mais funções em sistemas eletrônicos.
Para quem pretende comprar um usado, a conclusão é simples: observar carroceria, pneus, motor e acabamento continua fundamental, mas pode não ser suficiente. A eletrônica guarda parte importante da história do automóvel, e saber interpretá-la pode evitar prejuízos depois da compra.
Fizemos um teste com a ferramenta em nosso canal, confira! Clique e assista!